Enquanto ameaça censurar a Ancine por suposta contaminação ideológica, Jair Bolsonaro mais uma vez é pego em contradição e vê seus argumentos caírem por terra:  segundo notícia divulgada pela jornalista Mônica Bergamo o documentário “Nem Tudo se Desfaz”, com claro viés favorável à direita,  foi autorizado pela agência de cinema a captar R$ 530,1 mil.

Como se não bastasse, a produção é do diretor Josias Teófilo, militante “não assumido” de Jair Bolsonaro, que dirigiu em 2017 o espantoso e desnecessário “Jardim das Aflições”, filme que legitima os delírios de Olavo de Carvalho.

O longa-metragem em produção tenta justificar os mecanismos escusos que levaram à extrema-direita ao poder e tem como slogan de divulgação a frase “Como vinte centavos iniciaram uma revolução conservadora” – cujo estopim se deu durante as manifestações de 2013, passou pelo golpe parlamentar em 2016 e terminou na eleição decidida por fake news de Bolsonaro dois anos depois.

Não à toa, Eduardo Bolsonaro já manifestou seu apoio ao documentário nas redes sociais ao divulgar o cartaz com a imagem de seu pai.  O filho do presidente também sugeriu censura e exclusão da Ancine na sexta (19).

Em evento do Ministério da Cidanania, Bolsonaro afirmou que a agência deve ter um “filtro” para aprovação de filmes. Segundo ele, “não pode dinheiro público ser usado para fins pornográficos”. Ele se referia ao filme “Bruna Surfistinha”, produção nacional que conta a história de Raquel Pacheco, que usava o nome que dá título ao filme no trabalho como garota de programa em São Paulo, nos anos 2000.

A própria Raquel fez questão de responder:  “Digo que antes dele fazer juízo de valor sobre os outros, deveria cuidar da moral da própria família e do nosso país. Ele está cuidando demais do que não precisa e fazendo pouco do que é realmente necessário pra termos um país melhor.” A cinebiografia contou com Deborah Secco no papel principal e arrecadou R$20 milhões de bilheteria.

O governo mantém a falsidade moral que já virou marca do atual mandato. Em uma semana, Bolsonaro ataca a Ancine, propõe censura e critica a cultura nacional. Na semana seguinte, a própria agência autoriza R$530 mil para documentário simpatizante de Jair.

Repercussão negativa no mundo

Duas das maiores revistas americanas de cultura e entretenimento dedicaram reportagens à ameaça de Bolsonaro à Ancine e ao seu comentário sobre a necessidade de criação de “filtros” na seleção de obras apoiadas pela agência.

“A Ancine vem enfrentando repetidas críticas e ameaças do governo Bolsonaro nos últimos meses, mas os comentários do presidente na semana passada provocaram uma reação visceral da indústria brasileira de cinema, com muitas personalidades rejeitando o crescimento da interferência e censura do governo”, alertou a Hollywood Reporter, que define o presidente brasileiro como “ex-militar que virou um político populista de direita”.

Já revista Variety afirmou que as palavras de Bolsonaro “ressaltam o imenso abismo nos valores entre grande parte de seu governo e as indústrias de cinema e TV brasileiras”.

Da Redação da Agência PT de Notícias

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