No mundo imaginário dos adversários, Lula já foi de tudo: herdeiro da aristocracia que passa os finais de semana dentro de um iateempresário de renome de grande empresa alimentícia, militante revolucionário que articulava sequestros, filho da nobreza tupiniquim com mansão no Morumbi, charlatão que inventava palestras que jamais proferiu e, agora, proprietário de patrimônio de quase R$ 80 milhões de reais.

Neste último caso, no entanto, a farsa não foi criada por um militante da extrema direita ou por um adversário direto na corrida eleitoral: na verdade, trata-se do mais novo disparate criado para dar continuidade à perseguição que levou Lula ao cárcere político.

A decisão do juiz Luiz Antonio Bonat, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, de sequestrar até  R$ 77,9 milhões do ex-presidente a pedido do Ministério Público Federal (MPF) é mais um capítulo nebuloso da história recente nacional – marcada sobretudo por um Judiciário politizado que tem se tornado réu de suas próprias arbitrariedades.

Prontamente rebatida pela assessoria do ex-presidente,  que chamou a decisão de grosseira falsidade pelo fato de a própria Lava Jato já ter devassado as contas pessoais de Lula, a nova mentira traz à tona histórias tão ou mais obscuras criadas contra ele no passado – como as citadas no início deste texto – e no presente.

Se há, portanto, algo que é inegável aos que sempre perseguiram o maior líder popular que o país já teve é a criatividade para tentar associá-lo às mais diversas mentiras. Sempre, claro, na tentativa (fracassada) de apagar o seu legado, destruir a sua imagem e tirá-lo de vista.

Fake news, a origem

Lula ainda era líder sindical quando, logo após fundar o Partido dos Trabalhadores em 1980, tornou-se alvo da primeira mentira de grandes proporções. Numa época em que internet ainda era um sonho distante, os seus algozes usaram um velho recurso para tentar atacá-lo: passaram a espalhar rumores de que Lula tinha uma enorme mansão no Morumbi e que seus seguidores estavam sendo enganados.

Como se sabe, a tática não funcionou e Lula não só cativou as massas como ganhou notoriedade e respeito para muito além de São Bernardo do Campo – cidade, aliás, que sempre morou desde que chegou ao Estado de São Paulo vindo de Pernambuco.

No final daquela década, duas outras calúnias – de níveis estarrecedores – foram criadas contra ele para tentar frear a sua crescente popularidade e a possibilidade real de chegar à Presidência da República. A primeira fica difícil até de acreditar que tenha sido propagada, já com grande parte da imprensa envolvida.

Quando estouraram o cativeiro do empresário Abílio Diniz às vésperas do segundo turno das eleições de 1989 – que tinha Lula e Collor no páreo -, foram encontradas no local camisetas do PT. Pronto. Foi a deixa para que associassem o crime ao partido e o resultado acabou decidindo o eleito para o cargo mais alto da República.

Paralelo ao escândalo propagado pelos jornais, o próprio adversário de Lula usou em sua campanha uma fake news que manchou para sempre a história política nacional.  Uma ex-namorada de Lula ressurgiu para acusá-lo de “racista”, “abortista” e de desprezar a filha que tiveram.  Era tudo mentira (para variar), mas a opinião pública já havia sido atingida em cheio.  Anos, mais tarde a própria ex-namorada admitiu que foi paga por Collor para caluniar o pai de sua filha.

O curioso caso da Friboi, do iate, da mansão no Uruguai…

De lá para cá, criaram muitas outras histórias que hoje servem mais de piada do que afronta. É o caso clássico de que “o filho de Lula é dono da Friboi”. Já com a internet como ferramenta principal das fake news, foi preciso que a própria empresa alimentícia viesse a público se manifestar contra a mentira.

Um dos filhos do Lula também já foi dono de fazenda numa postagem que usava imagem da sede da Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós (Esalq – USP) como prova do patrimônio.  Também já disseram, mais recentemente, que “o filho do Lula” tinha um iate avaliado em milhões e foi preciso que o próprio dono da embarcação desmentisse a calúnia.

Em 2016, foi a vez de uma revista que se comporta como militante passar vergonha e manchar o jornalismo nacional. Sem qualquer documento ou fonte (nem mesmo anônima), a revista IstoÉ publicou reportagem em que afirmava ser Lula o proprietário de uma mansão na requisitada praia de Punta del Este, no Uruguai. Obviamente era mentira.

Ah, as palestras

Lula deixou a Presidência da República, em 2010, com aprovação de nove em cada 10 brasileiros. O legado era inegável e as mudanças proporcionadas por ele ao Brasil chamavam a atenção do mundo. Não demorou muito para que ele assumisse o posto de principal palestrante político do mundo. A nova alçada tornou-se também sua principal fonte de renda, fato ignorado pelos procuradores do Ministério Público Federal no Distrito Federal.

Foi preciso que o Instituto Lula divulgasse a lista completa de palestras, bem como vídeos de algumas delas para acabar com a boataria criada pelo MPF.

Da Agência PT de Notícias com informações de Lula.com.br

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