Neste domingo (23), São Paulo é palco da maior Parada LGBT do mundo, que está em sua vigésima terceira edição e em 2019 celebra os 50 anos da Revolta de Stonewall. Trazendo ao debate público questões importantes sobre os direitos da população LGBT, a Parada contou com o Bloco Lula Livre, que denunciou a prisão política do ex-presidente, articulada para facilitar a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), dando continuidade ao golpe de 2016. Além disso, os participantes do Bloco colocaram em pauta a proposta de reforma daPrevidência e os cortes na educação defendidos pelo atual governo.

Com uma grande bandeira com as cores do arco-íris, a imagem do ex-presidente e a frase “ Lula Livre”, os militantes ocuparam um espaço próximo ao trio de abertura da Parada, desde às 10h deste domingo. A organização do Bloco teve como objetivo dialogar sobre a situação política do país e também criticar a despolitização de eventos como este, que em diversas ocasiões assumem um caráter mais festivo que reivindicativo, invisibilizando questões fundamentais sobre os direitos das pessoas LGBT.

Para Dê da Silva, do Coletivo Nacional LGBT do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estar na Parada LGBT, enquanto militante de um movimento social do campo, também é resistir. “Eles passam uma imagem elitizada dos sujeitos LGBT, nesse espaço construído de forma não tão democrática. Para nós, resistência tem a ver com lutar nos espaços educacionais, por exemplo, em que há uma ofensiva do fascismo. Tem a ver com resistir nos espaços das saúde, contra o desmonte do SUS. É resistir nas ruas, que sempre foi um espaço da classe trabalhadora, e por isso nós nos colocamos aqui”, avalia ela.

“Queremos dizer que esse glamour, que esse mundo fantasioso que as Paradas apresentam está longe ainda de ser a realidade dos sujeitos LGBT que vivem nas ruas, que disputam as migalhas nas grandes cidades. Queremos dizer também que no campo existem organizações e existem sujeitos LGBT, que precisam de visibilidade e que estão distantes dos processos construídos pelas empresas e dos grandes conglomerados empresariais que dominam hoje espaços como a Parada”, encerra Dê.

O que é resistir no governo Bolsonaro?

Para Martha Raquel Rodrigues, que faz parte do Jornalistas Livres, a resistência ao governo Bolsonaro dá forma ao cotidiano da vida das pessoas LGBT no Brasil, atualmente. “Se eu vou andar pela cidade de mãos dadas com a minha namorada, se eu vou deixar transparecer o amor, que é uma coisa tão bonita, eu preciso pensar nos riscos. Esta é uma preocupação que há alguns anos nós estávamos conseguindo não ter”, avalia ela. “Além disso, o governo Bolsonaro nos criminaliza de todas as formas. É no movimento social, é no movimento estudantil. Eles nos chama de inúteis, né? É muito complicado”, completa ela.

Para Paulo Cury, morador da Vila Olímpia, em São Paulo, é preciso seguir lutando pelas bandeiras que constituíram a identidade do PT e que o ex-presidente Lula provou serem possíveis de ser conquistadas. “O enfrentamento ao atual governo, que se apoderou de forma corrupta do poder, como a mídia tem divulgado, será uma luta permanente neste país. Nós não vamos desistir e não vamos sair da rua”, afirmou ele.

 

Feh VIllarta veio de Mogi das Cruzes, junto com o seu companheiro Daniel Fontes, participar da Parada do Orgulho. Os dois são fazem parte do Comitê Lula Livre do Largo do Rosário, em Mogi. Para VIllarta, resistir no governo Bolsonaro é existir acima de qualquer circunstância. “Nós como LGBT precisamos mostrar que a cor do nosso sangue, a cor das nossas cores todas do arco-íris e o que cada uma delas representa. Hoje vivemos sob o governo deste que é declaradamente LGBTfóbico, mas também temos a nós mesmos, que mostramos nossas cores e nos fazemos presentes e vivos”, declara ele.

Victor Kozlowski, que faz parte da Secretaria LGBT do Partido dos Trabalhadores do Piauí (PT-PI), afirma que neste momento a resistência é um imperativo para a sociedade brasileira, sobretudo para a população LGBT. “Não há democracia sem reconhecimento, defesa e promoção dos nossos direitos, então é necessário que a gente continue nessa luta. Lula Livre representa justamente isso, democracia para todos e todas”, aponta.

Resistir e amar, amar e resistir, sem medo

Resistir no governo Bolsonaro é, em primeiro lugar, um ato de amor. A avaliação é da Janaína Oliveira, de Belém do Pará, que é Secretária Nacional LGBT do PT. “A gente resiste diante de um cenário de violência, de ódio, diante de um desgoverno, da defesa de armamento, da criminalização, da ofensa. Resistir no governo Bolsonaro é antes de mais nada seguir existindo, amando e tendo crença”, afirma ela.

Em sua avaliação, é preciso construir uma concepção de luta e de vida que diferencie aqueles que acreditam na democracia e na liberdade de quem apoia um governo fascista. “Não existe resistência se não houver o amor. E é isso, o amor vence o ódio, o amor vence tudo, nada vence o amor”, encerra Janaina.

 

 

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