Motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista aprovaram nesta quinta-feira (16) a participação na greve geral do dia 14 de junho convocada pela CUT e demais centrais sindicais brasileiras contra a proposta de reforma da Previdência do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL).

A paralisação dos ônibus foi decidida em assembleia realizada pelo Sindicato dos Motoristas, segundo reportagem do Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual. No dia 6 de maio, os metroviários paulistas também deliberaram, em assembleia, pela paralisação do Metrô no dia 14 junho.

Os trabalhadores do setor de transportes vão se reunir no próximo dia 27 para definir a atuação da categoria nagreve geral contra a Proposta de Emenda à Constituição 006/2019, que, se aprovada pelo Congresso Nacional, praticamente acabará com o direito à aposentadoria no Brasil. Metroviários, ferroviários, trabalhadores dos ônibus municipais e metropolitanos da capital e de outras cidades da grande São Paulo são esperados no encontro.

Em 2017, na greve geral de 28 de abril que parou o Brasil contra a proposta de reforma da Previdênciaapresentada pelo ilegítimo Michel Temer (MDB), os sistemas de transportes da capital paulista e da região metropolitana de São Paulo, abrangendo ônibus municipais e intermunicipais, Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ficaram totalmente parados durante o dia inteiro. Ruas e avenidas ficaram vazias e os índices de congestionamento registrados pela Companhia de Engenharia de Tráfego foram ínfimos.

Campanha salarial

Além da adesão à greve geral, os motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista decretaram estado de greve por conta da falta de propostas dos empresários na campanha salarial deste ano. O sindicato deve se reunir com o prefeito Bruno Covas (PSDB), na segunda-feira (20), para pedir que a prefeitura intervenha nas negociações e evite uma paralisação do serviço. A categoria vai realizar uma nova assembleia no mesmo dia para decidir se entra em greve na terça-feira (21).

“Esperamos que o poder público intervenha a favor dos trabalhadores e faça com que os empresários abram mão da sua ganância. Vamos comunicar o prefeito da decisão da nossa categoria. Nenhum ônibus vai andar na cidade de São Paulo até que as nossas reivindicações sejam atendidas”, disse o presidente do sindicato, Valdevan Noventa.

Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial que recomponha a inflação do período (4,94%), mais aumento real de 3%, vale-refeição de R$ 27, Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de R$ 2 mil, seguro obrigatório para cobertura de avarias nos veículos causadas por terceiros, garantia de emprego dos cobradores diante das alterações ocorridas na nova licitação – que prevê o fim da função –, entre outros itens.

Motoristas e cobradores rechaçaram a proposta do sindicato patronal, SPUrbanuss, que propôs reajuste salarial de 4,18% (abaixo da inflação do período), aumento de R$ 0,80 no vale-refeição, intervalo de almoço de uma hora sem remuneração, exclusão da PLR e jornada flexível. Já foram realizadas quatro reuniões e não houve nenhum acordo até agora. A data-base da categoria é 1º de maio.

O sindicato avalia que não há justificativa para um reajuste tão baixo, já que os empresários estão “rindo à toa” com os lucros que terão na exploração do sistema de transporte público da capital paulista pelos próximos 20 anos. Sem concorrência, a nova licitação do transporte coletivo de São Paulo acabou vencida pelos mesmos empresários que atuam no sistema desde 2003 e com o valor máximo de remuneração.

A margem de lucro proposta pela gestão do prefeito Bruno Covas ficou acima daquela definida pela auditoria ocorrida no sistema em 2014. Além disso, a gestão Covas reduziu a integração do Bilhete Único Vale transporte e aumentou o valor cobrado nessa modalidade para R$ 4,57, aumentando a receita. Essa mudança está sendo questionada na Justiça.

Por CUT

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